quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Burgo do Porto

O burgo do Porto tinha um aspeto soturno mas pitoresco. À maneira da Meia-Idade, os ofícios e os negócios encontravam-se arruados. Surradores nos Pelames, ferreiros nas Ferrarias,  caldeireiros na rua que ainda hoje tem o seu nome, ourives na rua da Ourivesaria, sapateiros na rua da Sapataria e comerciantes na rua dos Mercadores.

Na rua de S. Miguel, no tempo da Judiaria, alinhavam os algibebes com o seu negócio de roupas feitas, novas e usadas; mas, depois das leis de D. Manoel, os judeus foram mudando as suas lojas para a Ribeira e imediações, por ser lugar mais central. 

Em 1533 a rua de S. Miguel, que tinha sido uma das principais e das melhores casas da cidade, encontrava-se quase deserta. Alguns dos que de lá tinham saído, já tornados cristãos-novos, quiseram voltar aos antigos lares.

Veja também:

História de Portugal

(http://porto-com-historias.blogspot.pt/2012/12/historia-de-portugal.html)

História de Portugal

Ao começar o séc. XVI, Portugal encontrava-se no apogeu da força e da glória. A europa olhava-nos com deslumbramento e inveja.

Depois de um século de trabalho metódico, persistente, regular e sabiamente articulado, arrojado mas sobretudo científico, os portugueses haviam conseguido atingir a finalidade que almejavam e o seu soberano podia ostentar o título de Rei de Portugal e Algarves daquém e dalém-mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia, da Índia e do Brasil.

A fama do nome luso, levada nas asas brancas das caravelas, chegava aos confins do globo...

Oitenta anos mais tarde, o pavilhão português, que tremulara vitorioso e quase omnipotente sobre dilatadíssimas regiões e mares sem fim, desaparecia da cena do mundo. Portugal caíra no cativeiro que só doze lustros decorridos se haveria de libertar.

É certo que o domínio estrangeiro veio mascarado sob a promessa de conservação da dualidade política, mas a história portuguesa ensina-nos que, para que essa fórmula fosse aceite como foi, era preciso que a antiga altivez nacional estivesse muito abatida e que Portugal não quisesse decididamente, ou não pudesse, dar outra solução ao problema dinástico.