sábado, 29 de dezembro de 2012

Sampaio Bruno


José Pereira de Sampaio (nascido a 30 de Novembro de 1857 - 6 de Novembro de 1915), de pseudónimo Bruno (do nome de Giordano Bruno) e Sampaio Bruno para a posteridade, foi escritor, ensaísta e filósofo portuense e figura cimeira do pensamento português do seu tempo.

Sampaio Bruno foi escritor
Sampaio Bruno


Seu pai era maçom e proprietário duma padaria na Rua do Bonjardim, no Porto, que o filho viria a herdar. 

O racionalismo deísta e as ideias liberais foram as influências dominantes na formação do seu pensamento. 

Combatente pelo ideário republicano, Sampaio Bruno integraria o Directório do Partido Republicano Português - PRP. Fundou vários semanários portuenses (O Democrata, O Norte Republicano) bem como o diário A Discussão. 

Com Antero de Quental e Basílio Teles elaborou os estatutos da Liga Patriótica do Norte, no seguimento do ultimato britânico de 1890. Participou na malograda Revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891, de cujo Manifesto foi redactor, exilando-se depois em Paris com João Chagas. 

Em França sofreu a influência de uma série de personalidades, como o futuro pioneiro da aviação Santos Dumont, os socialistas Benoît Malon e Jules Guesde, os poetas Paul Verlaine e António Nobre. 

A depressão que o afectou no exílio parisiense pode ter contribuído para encaminhar a sua pesquisa no sentido do misticismo e do esoterismo, mergulhando na literatura gnóstica de inspiração judaica, na cabala e na ideologia maçónica.

Veja também:

A Massa Anónima dos Tripeiros

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sábado, 22 de dezembro de 2012

A massa anónima dos tripeiros

Como portuense, sinto-me desafiado a espreitar o Porto de outros séculos. Evocar o típico burgo quinhentista, animá-lo, povoá-lo observar os seus costumes, a sua índole, a moralidade dos habitantes, levantar a poeira dos túmulos não das figuras célebres mas da massa dos tripeiros em geral e vivênciá-la de novo, recuperando os seus hábitos, as suas ideias e tendências os seus sentimentos na Era Quinhentista.

foto das casas da Ribeira do Porto
Ribeira do Porto

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Burgo do Porto

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Burgo do Porto

O burgo do Porto tinha um aspeto soturno mas pitoresco. À maneira da Meia-Idade, os ofícios e os negócios encontravam-se arruados. Surradores nos Pelames, ferreiros nas Ferrarias,  caldeireiros na rua que ainda hoje tem o seu nome, ourives na rua da Ourivesaria, sapateiros na rua da Sapataria e comerciantes na rua dos Mercadores.

Na rua de S. Miguel, no tempo da Judiaria, alinhavam os algibebes com o seu negócio de roupas feitas, novas e usadas; mas, depois das leis de D. Manoel, os judeus foram mudando as suas lojas para a Ribeira e imediações, por ser lugar mais central. 

Em 1533 a rua de S. Miguel, que tinha sido uma das principais e das melhores casas da cidade, encontrava-se quase deserta. Alguns dos que de lá tinham saído, já tornados cristãos-novos, quiseram voltar aos antigos lares.

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História de Portugal

(http://porto-com-historias.blogspot.pt/2012/12/historia-de-portugal.html)

História de Portugal

Ao começar o séc. XVI, Portugal encontrava-se no apogeu da força e da glória. A europa olhava-nos com deslumbramento e inveja.

Depois de um século de trabalho metódico, persistente, regular e sabiamente articulado, arrojado mas sobretudo científico, os portugueses haviam conseguido atingir a finalidade que almejavam e o seu soberano podia ostentar o título de Rei de Portugal e Algarves daquém e dalém-mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia, da Índia e do Brasil.

A fama do nome luso, levada nas asas brancas das caravelas, chegava aos confins do globo...

Oitenta anos mais tarde, o pavilhão português, que tremulara vitorioso e quase omnipotente sobre dilatadíssimas regiões e mares sem fim, desaparecia da cena do mundo. Portugal caíra no cativeiro que só doze lustros decorridos se haveria de libertar.

É certo que o domínio estrangeiro veio mascarado sob a promessa de conservação da dualidade política, mas a história portuguesa ensina-nos que, para que essa fórmula fosse aceite como foi, era preciso que a antiga altivez nacional estivesse muito abatida e que Portugal não quisesse decididamente, ou não pudesse, dar outra solução ao problema dinástico.