domingo, 13 de janeiro de 2013

Nicolau Nasoni na cidade do Porto

"Para se fazerem logo com perfeição e acerto, todas as obras, e se evitar o perigo de se desmancharem e fazerem 2ª vez por falta de preverem erros, vieram não só de Lisboa, mas de outros Reynos, arquitectos, e M.es peritos nas artes a q erão respectivas as obras. Veyo Niculau Nazoni arquitecto, e pintor Florentino exercitado em Roma, donde foy chamado a Malta pª pintar o Pallacio do Grão M(estre)..."

Não foi caso único, no séc XVIII, a vinda deste arquitecto italiano para Portugal. Muito pelo contrário.

mapa da cidade do Porto em 1855
mapa da cidade do Porto em 1855

Veja também
Mosteiro de S. Bento da Vitória
(http://porto-com-historias.blogspot.pt/2013/01/mosteiro-de-s-bento-da-vitoria.html)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Mosteiro de S. Bento da Vitória

O Mosteiro de S. Bento da Vitória na cidade do Porto, cuja construção se aprovou há 400 anos, em 1596 mais concretamente, foi o último grande mosteiro beneditino a antiga "Congregação dos Monges Negros de S. Bento dos Reinos de Portugal" (1566 - 1834).

"São Bento da Vitória" church in Porto, Portugal
Fachada do Mosteiro de S. Bento da Vitória


Hoje ainda é o único mosteiro em Portugal dessa antiga congregação que conserva um mínimo de vida monástica. Os outros 22, ou foram ocupados e transformados para serviços públicos, haja em vista o mosteiro de S. Bento da Saúde em Lisboa, transformado em Assembleia da República, ou então abandonados e em ruínas, servindo as respetivas igrejas de sedes paroquiais.

Os portuenses que passam frente deste mosteiro de S. Bento da Vitória estão de tal modo habituados a vê-lo que já não reparam na sua extraordinária monumentalidade.


Talha dourada do coro-alto da igreja

Não é só pela fachada principal dar para uma rua estreita e por isso não haver o recuo suficiente para admirar devidamente o seu volume e as suas notáveis proporções arquitetónicas.

Acontece frequentemente o mesmo com muitos monumentos antigos que passaram a fazer parte do nosso quotidiano. A convivência transforma em coisa normal aquilo que não o é de todo!

De facto S. Bento da Vitória é dos maiores e mais imponentes mosteiros não só do Porto, mas também de todo o País. O que ele representa também não é banal.


Veja também

Torre da Igreja dos Clérigos

(http://porto-com-historias.blogspot.pt/2013/01/torre-da-igreja-dos-clerigos.html)

sábado, 5 de janeiro de 2013

Torre da Igreja dos Clérigos

A Igreja dos Clérigos  é uma igreja barroca, na cidade do Porto, em Portugal. A sua torre sineira de altura, a Torre dos Clérigos, pode ser visto de vários pontos da cidade e é um dos seus símbolos mais característicos. 

foto da Torre da Igreja dos Clérigos
Torre da Igreja dos Clérigos


A igreja foi construída pela Irmandade dos Clérigos (Clero) por Nicolau Nasoni, arquitecto italiano e pintor que deixou uma obra extensa, no norte de Portugal durante o século 18. Fachada da Igreja dos Clérigos. 

A construção da igreja começou em 1732 e foi concluída por volta de 1750, enquanto a escadaria monumental dividida em frente da igreja foi concluída em 1750. A fachada principal da igreja está fortemente decorado com motivos barrocos (como guirlandas e conchas) e um frontão recortado quebrado. Isto foi baseado em um esquema do início do século 17 Romano. O friso central acima dos símbolos presentes janelas de culto e um barco incenso. As fachadas laterais revelar a planta quase elíptica da nave da igreja. 

A Igreja dos Clérigos foi uma das primeiras igrejas barrocas em Portugal a adoptar uma planta baixa barroco típico elíptica. O retábulo da capela-mor, de mármore policromado, foi executado por Manuel dos Santos Porto. A torre monumental da igreja, localizada na parte de trás do prédio, só foi construído entre 1754 e 1763. 

A decoração barroca aqui também mostra a influência do barroco romano, enquanto todo o projeto foi inspirado por campanários da Toscana. A torre é 75,6 metros de altura, que domina a cidade. Há 240 passos para ser escalado para chegar ao topo dos seus seis andares. Esta grande estrutura tornou-se o símbolo da cidade. 

No Porto, Nicolau Nasoni também foi responsável pela construção da Igreja Misericórdia, o Palácio do Arcebispo e da galeria lateral da Catedral do Porto. Ele entrou na Irmandade dos Clérigos e foi sepultado, a seu pedido, na cripta da Igreja dos Clérigos.


Veja mais sobre a Torre da Igreja dos Clérigos

(http://porto-com-historias.blogspot.pt/2012/12/igreja-e-torre-dos-clerigos-no-porto.html)

domingo, 30 de dezembro de 2012

Igreja e Torre dos Clérigos no Porto Portugal

Num velho papel do Cabido da Sé do Porto, em que se alude às grandes, infelizes, mas bem conhecidas obras que o mesmo Cabido mandou executar na Catedral portuense, nos primeiros anos da Sé-Vaga 1717-1741, pode ler-se:

"Para se fazerem logo com perfeição e acerto, todas as obras, e se evitar o perigo de se desmancharem e fazerem pela 2ª vez por falta de preverem os erros, vieram não só de Lisboa, mas de outros Reynos, arquitectos, e M. peritos nas artes q erão respectivas as obras. Veyo Niculau Nazoni arquitecto, e pintor Florentino exercitadoem Roma, donde foy chamado a Malta pª pintar o Pallacio do Grão M(estre)..."


Torre dos Clerigos no Porto com Historias
Torre dos Clérigos no Porto
Não foi caso único, no séc. XVIII, a vinda deste artista italiano para Portugal. Muito pelo contrário, como, aliás, é bem sabido.

Chegamos ao ano de 1754. Este é o ano mais memorável em toda a vida do artista; foi no dia 8 de fevereiro de 1754 que Nicolau Nasoni apresentou à Mesa da Irmandade dos Clérigos o audacioso e magistral projeto que o havia de imortalizar: o projeto da construção da imponente Torre dos Clérigos.

Veja também:

Sampaio Bruno

(http://porto-com-historias.blogspot.pt/2012/12/sampaio-bruno.html)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Sampaio Bruno


José Pereira de Sampaio (nascido a 30 de Novembro de 1857 - 6 de Novembro de 1915), de pseudónimo Bruno (do nome de Giordano Bruno) e Sampaio Bruno para a posteridade, foi escritor, ensaísta e filósofo portuense e figura cimeira do pensamento português do seu tempo.

Sampaio Bruno foi escritor
Sampaio Bruno


Seu pai era maçom e proprietário duma padaria na Rua do Bonjardim, no Porto, que o filho viria a herdar. 

O racionalismo deísta e as ideias liberais foram as influências dominantes na formação do seu pensamento. 

Combatente pelo ideário republicano, Sampaio Bruno integraria o Directório do Partido Republicano Português - PRP. Fundou vários semanários portuenses (O Democrata, O Norte Republicano) bem como o diário A Discussão. 

Com Antero de Quental e Basílio Teles elaborou os estatutos da Liga Patriótica do Norte, no seguimento do ultimato britânico de 1890. Participou na malograda Revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891, de cujo Manifesto foi redactor, exilando-se depois em Paris com João Chagas. 

Em França sofreu a influência de uma série de personalidades, como o futuro pioneiro da aviação Santos Dumont, os socialistas Benoît Malon e Jules Guesde, os poetas Paul Verlaine e António Nobre. 

A depressão que o afectou no exílio parisiense pode ter contribuído para encaminhar a sua pesquisa no sentido do misticismo e do esoterismo, mergulhando na literatura gnóstica de inspiração judaica, na cabala e na ideologia maçónica.

Veja também:

A Massa Anónima dos Tripeiros

(http://porto-com-historias.blogspot.pt/2012/12/a-massa-anonima-dos-tripeiros.html)

sábado, 22 de dezembro de 2012

A massa anónima dos tripeiros

Como portuense, sinto-me desafiado a espreitar o Porto de outros séculos. Evocar o típico burgo quinhentista, animá-lo, povoá-lo observar os seus costumes, a sua índole, a moralidade dos habitantes, levantar a poeira dos túmulos não das figuras célebres mas da massa dos tripeiros em geral e vivênciá-la de novo, recuperando os seus hábitos, as suas ideias e tendências os seus sentimentos na Era Quinhentista.

foto das casas da Ribeira do Porto
Ribeira do Porto

Veja também:

Burgo do Porto

(http://porto-com-historias.blogspot.pt/2012/12/burgo-do-porto.html)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Burgo do Porto

O burgo do Porto tinha um aspeto soturno mas pitoresco. À maneira da Meia-Idade, os ofícios e os negócios encontravam-se arruados. Surradores nos Pelames, ferreiros nas Ferrarias,  caldeireiros na rua que ainda hoje tem o seu nome, ourives na rua da Ourivesaria, sapateiros na rua da Sapataria e comerciantes na rua dos Mercadores.

Na rua de S. Miguel, no tempo da Judiaria, alinhavam os algibebes com o seu negócio de roupas feitas, novas e usadas; mas, depois das leis de D. Manoel, os judeus foram mudando as suas lojas para a Ribeira e imediações, por ser lugar mais central. 

Em 1533 a rua de S. Miguel, que tinha sido uma das principais e das melhores casas da cidade, encontrava-se quase deserta. Alguns dos que de lá tinham saído, já tornados cristãos-novos, quiseram voltar aos antigos lares.

Veja também:

História de Portugal

(http://porto-com-historias.blogspot.pt/2012/12/historia-de-portugal.html)